Formed by choreographer, dancer and performer Yael Karavan and violinist, composer and performer Maria do Mar, DUO DOU presents itself as a project in permanent construction and reinvention, committed to the development of a research process (of possibilities, solutions, imaginaries, techniques) that explores the transformations from musical gesture to bodily movement or, conversely, that locates within the body the very physical, organic instant of sound production — whether mediated or not by instruments, objects, or pure empathy with places.

It may also involve speech, given the intention of dialogue and community-building with the audiences encountered in each place, who are always engaged in what unfolds, as co-authors.

At the core lies the exploration of the bonds between the kinetic action of the two performers — as living organisms for whom the space they inhabit functions as a field of forces that either cause or are affected — and the inherent performativity of music, the art of time par excellence.

By working with energies and their relation to masses, velocities, molecules and waves of vibration, collision or friction, the duo considers its point of arrival as a point of departure, or vice versa, internalising within its language a series of artistic references that share a common principle of radical refinement — such as (among other examples), Tatsumi Hijikata and Kazuo Ohno in Butoh, and in music, the improvised reductionism of Radu Malfatti and the structural indeterminacy of John Cage.

The idea is that, through the stripping away of materials and expression, the feedback loops and dialogue between the energies placed on stage become more evident.

With a transdisciplinary perspective — in which performance work intertwines with lighting design, costume, and the surrounding space — DUO DOU situates itself within the creative field of experimentation and improvisation as a compositional method, understanding the stage as a laboratory and the creative process itself (that is, discussion, rehearsal, trial-and-error, searching, testing) as an identifying factor of the project.

Thus, each performance becomes a site-specific presentation of partial results — in their extreme ephemerality, immediately surpassed and contradicted by the next performance. Each construction implies a deconstruction.

Formado pela coreógrafa, bailarina e performer Yael Karavan e pela violinista, compositora e

performer Maria do Mar, o DUO DOU propõe-se como projecto em permanente construção e

reinvenção, apostado no desenvolvimento de um processo de pesquisa (de possibilidades,

soluções, imaginários, técnicas) que explora as transformações que vão do gesto musical ao

movimento do corpo ou, ao invés, que localizam neste o próprio instante físico, orgânico, de

produção sonora, seja ele intermediado ou não por instrumentos, objectos ou empatia pura com os lugares. Ou, ainda, por falas, dado o propósito de diálogo e de criação de comunidade com os públicos que encontra em cada lugar, sendo que estes são sempre envolvidos no que acontece, em co-autoria.

Em foco está a exploração dos vínculos entre a acção cinética das duas intérpretes na sua

qualidade de organismos vivos que têm o espaço em que se encontram como campo de forças causantes ou afectadas e a natural performatividade da música, arte do tempo por excelência. Porque lidando com energias e sua relacionação com massas, velocidades, moléculas e ondas de vibração, colisão ou fricção, o duo tem o seu ponto de chegada como ponto de partida ou vice-versa, interiorizando na sua linguagem toda uma série de referências artísticas que, de

comum, têm a máxima depuração, como (entre outros exemplos), o Tatsumi Hijikata e o Kazuo Ohno No Butoh, e, na música, o reducionismo improvisado de Radu Malfatti e o indeterminismo estrutural de John Cage.

A ideia é que, pelo expurgo dos materiais e da expressão, mais evidentes se tornem a retroalimentação e a interlocução das energias colocadas em cena.

Com uma perspectiva transdisciplinar em que ao trabalho performativo se juntam o desenho

de luz e os figurinos, o espaço envolvente, o DUO DOU situa-se no âmbito criativo da experimentação e da improvisação enquanto método composicional, entendendo o palco como laboratório e o processo criativo em si mesmo (ou seja, a discussão, o ensaio, a tentativa-e-erro, a procura, o teste) como um factor identificativo do próprio projecto. Assim sendo, cada espectáculo que fizer será uma apresentação site-specific de resultados parciais, na sua extrema efemeridade, logo ultrapassados e desmentidos pelo espectáculo seguinte. Cada construção implicando uma desconstrução.

Photo credits – Nora Graeve and Herlander Almeida